abr
18
2012

Japão, Uma Aula de Cidadania.


Quem me conhece sabe da minha admiração pelo povo japonês. Tanto que, minha esposa é descendente de japoneses. Cantei no coral japonês por algum tempo aqui em Arapongas/PR e muitas vezes vamos ajudar em eventos da associação japonesa. Quanto mais me envolvo, mais admiração tenho.

Há pouco mais de 1 ano, um terremoto de 8.9 na escala Richter, provocou uma onda gigante (tsunami) que devastou a costa nordeste do Japão. Acompanhamos os acontecimentos pelos noticiários. Enviamos mantimentos, roupas e outras coisas que conseguimos juntar. O mundo inteiro se sensibilizou e atendeu.

Um ano após o lamentável ocorrido, as estradas, abastecimento de energia e água já estão praticamente normalizados. Atitude de uma cultura que preza pelos princípios da vida e da comunidade, primordialmente. Atitude de governantes que realmente se preocupam com seus cidadãos, com seu povo.

Infelizmente não podemos fala o mesmo de nosso país. Dois meses antes do tsunami no Japão, o Brasil, mais especificamente a serra fluminense: Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis e adjacências, também sofreram com o impacto violento das chuvas. No entanto, uma ano depois, praticamente nada foi feito para a recuperação das cidades, mesmo tendo recebido verbas do governo federal. O que vimos, infelizmente, foi a má utilização da verba, ou melhor, em português bem claro, o aproveitamento dos oportunistas em benefício próprio; lamentável.

Esta semana, recebi um mail que relata uma situação ocorrida no Japão, que compartilho com vocês.

Irmãos do Oriente

LIÇÃO DE VIDA PARA O OCIDENTE

A carta abaixo foi escrita por um imigrante vietnamita que é policial no Japão (Fukushima). Foi enviada a um jornal em Shangai que traduziu e publicou. Recebi essa tradução, com a nota de ter sido traduzida o mais fielmente possível ao texto original.

Querido irmão,

Como estão você e sua família? Estes últimos dias têm sido um verdadeiro caos. Quando fecho meus olhos, vejo cadáveres e quando os abro, também vejo cadáveres.  Cada um de nós está trabalhando umas 20 horas por dia e mesmo assim, gostaria que houvesse 48 horas no dia para poder continuar ajudar e resgatar as pessoas.  Estamos sem água e eletricidade e as porções de comida estão quase a zero. Mal conseguimos mudar os refugiados e logo há ordens para mudá-los para outros lugares. 

Atualmente estou em Fukushima – a uns 25 quilômetros da usina nuclear. Tenho tanto a contar que se fosse contar tudo, essa carta se tornaria um verdadeiro romance sobre relações humanas e comportamentos durante tempos de crise. 

As pessoas aqui permanecem calmas – seu senso de dignidade e seu comportamento são muito bons – assim, as coisas não são tão ruins como poderiam. Entretanto, mais uma semana,e não posso garantir que as coisas não cheguem a um ponto onde não poderemos dar proteção e manter a ordem de forma apropriada. 

Afinal de contas, eles são humanos e quando a fome e a sede se sobrepõem à dignidade, eles farão o que tiver que ser feito para conseguir comida e água. O governo está tentando fornecer suprimentos pelo ar enviando comida e medicamentos, mas é como jogar um pouco de sal no oceano. 

Irmão querido, houve um incidente realmente tocante que envolveu um garotinho japonês que ensinou a um adulto como eu uma lição de como se comportar como verdadeiro ser humano. 

Ontem à noite fui enviado para uma escola infantil para ajudar uma organização de caridade a distribuir comida aos refugiados. Era uma fila muito longa . Vi um garotinho de uns 9 anos. Ele estava usando uma camiseta e um par de shorts. 

Estava ficando muito frio e o garoto estava no final da fila. Fiquei preocupado se, ao chegar sua vez, poderia não haver mais comida. Fui falar com ele. Ele disse que estava na escola quando o terremoto ocorreu. Seu pai trabalhava perto e estava se dirigindo para a escola. O garoto estava no terraço do terceiro andar quando viu a tsunami levar o carro do seu pai. 

Perguntei sobre sua mãe. Ele disse que sua casa era bem perto da praia e que sua mãe e sua irmãzinha provavelmente não sobreviveram. Ele virou a cabeça para limpar uma lágrima quando perguntei sobre sua família. 

O garoto estava tremendo. Tirei minha jaqueta de policial e coloquei sobre ele. Foi ai que a minha bolsa de comida caiu. Peguei-a e dei-a a ele. “Quando chegar a sua vez, a comida pode ter acabado. Assim, aqui está a minha porção. Eu já comi. Por que você não come”? 

Ele pegou a minha comida e fez uma reverência. Pensei que ele iria comer imediatamente, mas ele não o fez. Pegou a bolsa de comida, foi até o início da fila e colocou-a onde todas as outras comidas estavam esperando para serem distribuídas. 

Fiquei chocado. Perguntei-lhe por que ele não havia comido ao invés de colocar a comida na pilha de comida para distribuição. Ele respondeu: “Porque vejo pessoas com mais fome que eu. Se eu colocar a comida lá, eles irão distribuir a comida mais igualmente”.  Quando ouvi aquilo, me virei para que as pessoas não me vissem chorar. 

Uma sociedade que pode produzir uma pessoa de 9 anos que compreende o conceito de sacrifício para o bem maior deve ser uma grande sociedade, um grande povo.

Envie minhas saudações a sua família. Tenho que ir, meu plantão já começou.

Ha Minh Thanh

 

DEZ COISAS A SEREM APRENDIDAS COM O JAPÃO

1 – A CALMA: Nenhuma imagem de gente se lamentando, gritando e reclamando que “havia perdido tudo”. A tristeza por si só já bastava.

2 – A DIGNIDADE: Filas disciplinadas para água e comida. Nenhuma palavra dura e nenhum gesto de desagravo.

3 – A HABILIDADE: Arquitetos fantásticos, por exemplo. Os prédios balançaram, mas não caíram.

4 – A SOLIDARIEDADE: As pessoas compravam somente o que realmente necessitavam no momento. Assim todos poderiam comprar alguma coisa.

5 – A ORDEM: Nenhum saque a lojas. Sem buzinaço e tráfego pesado nas estradas. Apenas compreensão.

6 – O SACRIFÍCIO: Cinqüenta trabalhadores ficaram para bombear água do mar para os reatores da usina de Fukushima. Como poderão ser recompensados?

7 – A TERNURA: Os restaurantes cortaram pela metade seus preços. Caixas eletrônicos deixados sem qualquer tipo de vigilância. Os fortes cuidavam dos fracos.

8 – O TREINAMENTO: Velhos e jovens, todos sabiam o que fazer e fizeram exatamente o que lhes foi ensinado.

9 – A IMPRENSA: Mostraram enorme discrição nos boletins de notícias. Nada de reportagens sensacionalistas com repórteres imbecis. Apenas reportagens calmas dos fatos.

10 – A CONSCIÊNCIA: Quando a energia acabava em uma loja, as pessoas recolocavam as mercadorias nas prateleiras e saiam calmamente.

 

É isso, meus amigos. Espero que ainda possamos aprender muito com eles.

Abraços,

Professor Edmundo Santana

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Sobre o autor: Edmundo Santana

Diretor Geral da Canadian Corporate Coaching Group Brasil. Sócio Diretor da Advance Consultoria e Treinamentos. Consultor e Instrutor em Desenvolvimento de Pessoas. Consultor e Instrutor do Sebrae/PR. Professor de Técnicas de Redação. Fundador do Blog Professor Edmundo Santana. Autor do Livro Fazendo a Diferença - Aprenda Fácil Editora

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