jan
18
2009

Eu, Marley e Eu


Neste último domingo (11/01/09) fui com minha noiva, Any, assistir Marley e Eu. Já vinha acompanhando o sucesso do livro de John Grogan, no entanto, não tive oportunidade de ler, o que farei em breve. Assistindo ao filme, comecei a fazer uma analogia da atitude dos cães e a atitude dos homens, tal como faz em suas palestras o espetacular Daniel Godri, porém, entre cães e gatos.

            Dos cachorros que eu já tive, o primeiro foi o mais parecido com Marley. Sim, era uma bola de pelos de uma hiperatividade sem precedentes, uma mistura de Golden com qualquer outra raça. Daquele tipo que destrói cuecas, meias, óculos, pega bifes na pia, e faz o que quer. Chegou a ser jurado de morte por que corria atrás de galinhas num bairro da periferia de Curitiba, onde morei quando mudei do Rio para lá.

            O interessante mesmo é poder observar a fidelidade com que esses companheiros nos assumem. É, eles nos assumem, mudam nossos hábitos, criam os seus próprios, são capazes de alterar rotinas antigas de qualquer pessoa que se comprometa em criá-los. Porém, são também capazes de morrer por nós. Fidelidade incondicional. Nos protegem, têm ciúmes. Quando minha filha nasceu, o Lupy – aquela bola de pelos que falei – sequer chegava perto dela. Não pegava nada que era dela, e ainda era capaz de avançar. Por muitos anos as crianças não tinham muita “liberdade” com ele, tamanho era o ciúme. Logo ele se acostumou, e mesmo assim, ainda se sentia o irmão mais velho, do tipo que se ele deitasse no sofá, era só ele e mais ninguém.

            Era de uma fidelidade sem tamanho, aliás, não conheço nenhum cão que não seja fiel ao dono. Alguém conhece? Aproveitando esse tema, eu pergunto: Quantas pessoas você conhece que realmente lhe são fiéis? Que são fiéis na amizade, no casamento, no trabalho, na vida? Será que você pode confiar plenamente nas pessoas à sua volta? É pra pensar, não é mesmo? A vida está cheia de exemplos de infidelidade, não falo apenas da conjugal, falo de um modo geral. Conheço inúmeros casos, por exemplo, de pessoas que gozavam de riquezas e viviam cercados por muitos “amigos”. Um dia, se vêem falidos, quebrados e também, sem os “amigos”. Significa então que “amigos” somente na riqueza, ficou pobre não me interessa mais. Esses são os “amigos” do dinheiro, apenas.

            Já vi muita gente trair amigos em ambiente de trabalho para conquistar uma promoção. Aqueles tipos que na sua frente se dizem seus “melhores amigos”, mas por trás estão puxando seu tapete. Lembro-me de uma pessoa que tinha como “ganância” pelo crescimento rápido. Chegava a ser detestável ficar ao seu lado. Era um tipo que fazia de tudo para estar bem diante dos superiores, inclusive falar mal dos companheiros para ganhar “pontos”. O mais interessante da situação, imaginem vocês, ele era extremamente competente. Não precisava de artimanhas para crescer, mas estava cego. Faltava-lhe autoconfiança.

            E quanto ao preconceito? Ano passado, dei como tema de redação numa prova para meus alunos de 8ª série o preconceito. A maioria disse que não tinha preconceito, no entanto, também não tinham no seu círculo de amizades, negros, pobres, etc. Outros diziam que gostariam de fazer alguma coisa para combater o preconceito, mas nada faziam, não sabiam o que fazer ou que não podiam fazer nada. Será que os cães têm preconceito? “Esse é pobre, vou procurar uma família mais rica”, ou, “Eu sou um Buldogue Inglês, tenho que viver numa família inglesa”. Que tal essa: “Só como ração Premium”.

            Tem uma coisa nos cães que admiro muito; a atitude. Coisa que falta à grande maioria das pessoas. Os cães enfrentam seus medos. Não importa a hora em que você chegue em casa, ele se levanta e vai fazer festa com você. Não guardam rancores. Se você briga com seu cão, ele se recolhe ao canto dele, mas, basta chamá-lo e vem faceiro fazendo festa (que seja dito: com seu dono). Não pensem que vão brigar com qualquer cão na rua e ele virá abanando o rabo pra você, cuidado. Como eu disse acima, eles enfrentam seus medos.

            Não é fácil encontrar pessoas com atitude, boa atitude, atitude positiva. É mais comum encontrar pessoas com medo de se expor, de expor suas idéias, e muito preocupadas com as atitudes que os outros terão com relação a elas. Têm medo dos seus próprios medos. Costumo dizer aos meus alunos que seu maior inimigo na vida é o seu próprio medo.

            Seria muito interessante se as pessoas observassem mais a vida dos cães. Certamente iriam aprender muito sobre suas próprias vidas. Como se diz no marketing, iriam “agregar valor”. Valores que muitas vezes não são ensinados nas escolas. Não são ensinados pelos pais. Não são ensinados ou mostrados pelos representantes do povo, porque, na grande verdade, o mundo está cada vez mais populoso e individualista.

            A grande lição que um cão nos dá é: me alimentem e me dêem carinho e atenção. Não preciso de mais nada. Não importa se você é rico ou pobre, feio ou bonito, gordo ou magro, serei sempre fiel a você.

           

Professor Edmundo Santana

12/01/2009

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Sobre o autor: Edmundo Santana

Diretor Geral da Canadian Corporate Coaching Group Brasil. Sócio Diretor da Advance Consultoria e Treinamentos. Consultor e Instrutor em Desenvolvimento de Pessoas. Consultor e Instrutor do Sebrae/PR. Professor de Técnicas de Redação. Fundador do Blog Professor Edmundo Santana. Autor do Livro Fazendo a Diferença - Aprenda Fácil Editora

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