jun
3
2009

Criatividade


“O potencial criativo de qualquer pessoa ultrapassa tudo o que já foi realizado por toda a humanidade junta.”

Peter Kline

Albert Einstein é considerado um dos homens mais inteligentes que pisaram a face da Terra, um cientista brilhante, um orgulho para a raça humana. Porém, nem sempre foi considerado assim. Você sabia disso?

Na escola, quando criança, Einstein foi um verdadeiro fracasso. Sentia grande dificuldade em matérias como história e geografia e um dos seus professores, inclusive, chegou mesmo a prever um futuro sombrio para ele:

” É um debilóide! Não vai chegar a lugar algum!”

A mesma coisa aconteceu com outro gênio da humanidade: Thomas Edison, o homem que inventou a lâmpada elétrica. Aos oito anos, Edison foi matriculado na escola do reverendo Engle, em Detroit, que não precisou de muito tempo para conceituá-lo como um “retardado”, um “estúpido”. Por causa da sua dificuldade em aprender, Edison foi praticamente expulso e nunca mais freqüentou escola alguma.

Os casos de Einstein e Edison, contudo, não foram únicos na história. Gandhi também foi um aluno medíocre. Sofreu muito com a tabuada e costumava voltar para casa correndo para que seus colegas não pudessem zombar da sua “burrice”. Tinha um raciocínio muito lento e uma memória péssima.

Acontece que esses três “burrinhos” foram longe. Eles superaram todas as expectativas, contrariaram todas as previsões e acabaram se tornando celebridades universais. Se você quer saber como essas coisas podem acontecer na vida de qualquer um, inclusive na sua, Inteligência e Criatividade

 

Antes de mais nada, vamos tentar conceituar, de forma prática, o que vem a ser inteligência e o que vem a ser criatividade.

Inteligência é uma função do cérebro. É a capacidade de organizar as informações, fazer comparações, formular conceitos e propor soluções. Todas as pessoas têm esta capacidade, independentemente de cor de pele, sexo, tamanho da cabeça, escolaridade, nacionalidade etc. Já criatividade é apenas uma “forma de usar essa inteligência”. Portanto, todas as pessoas têm potencial criativo. Até as louras, por incrível que pareça!
Por ser uma “função”, a inteligência pode melhorar continuamente à medida aprendemos coisas novas, sejam estas “coisas” palavras, conceitos, procedimentos etc. Quer dizer, aprendeu uma coisinha nova agora, melhorou a inteligência mais um pouquinho. É lei da natureza.

O que acontece, na realidade, é que toda vez que aprendemos alguma coisa, esta nova informação é registrada na memória e IMEDIATAMENTE associa-se a todo o conjunto de informações que já estão lá, guardadinhas. Assim, quando raciocinamos sobre qualquer assunto, estamos simplesmente fazendo comparações entre as informações que temos na memória. A coisa funciona mais ou menos assim:

– Tudo o que aprendemos é devidamente registrado na memória;
– Quando temos que resolver determinado problema, buscamos na memória todas as informações que temos sobre o assunto, comparamos e formulamos uma resposta. É justamente por isso que não conseguimos pensar sobre o que não sabemos. Tente pensar num noete prateado e veja como é difícil pra burro. Você só conseguirá pensar num noete prateado se souber o que é noete, não é mesmo?

Acontece que a nossa memória não registra somente dados isolados, como palavras, por exemplo; registra também procedimentos, maneiras de agir e – isto é importante – maneiras de pensar.

Quando aprendemos usar o martelo, por exemplo, registramos na memória o procedimento completo de dar marteladas, desde como segurar o prego até o modo de bater o martelo. Por isso, quando temos que botar um prego na parede, “recuperamos” na memória todo o procedimento aprendido e cumprimos a tarefa naturalmente, praticamente sem qualquer esforço intelectual.

Ocorre, entretanto, que, de repente, o prego pode se recusar a entrar na parede, não é mesmo? Daí então a inteligência nos oferece duas alternativas:
1) desistir da tarefa
2) procurar uma nova solução para o problema
Pois é aí, justamente aí, que o nosso cérebro abre uma portinha mágica que pode nos levar ao maravilhoso mundo do “pensamento criativo”. Preste atenção nisso! O “pensamento criativo” é somente uma alternativa que a mente nos oferece para que encontremos uma solução original para um problema teoricamente sem solução. Assim sendo, ser criativo é apenas uma opção intelectual. E todos podem fazer esta opção. É simples, fácil, divertido e faz crescer pra burro a nossa auto-estima.
Pensar criativamente é “pensar lateralmente”. É basicamente isso. Bem… é claro que você quer saber o que é pensar lateralmente, não é mesmo? Então veja:

Segundo Edward De Bono, “raciocínio vertical é cavar cada vez mais fundo no mesmo buraco, enquanto raciocínio lateral é tentar de novo em outro lugar”. Em termos práticos, isto quer dizer que se não encontramos respostas satisfatórias para determinados problemas (do jeito que estamos procurando) devemos procurá-las em outro lugar, de outra maneira, olhando sob outro ângulo e através de outras associações. E a “chave” para pensar lateralmente é usar, simplesmente, a expressão… “e se…?”

É isso aí, rapaziada, pensar criativamente é pensar “e se?”
– E se em vez de dividir eu multiplicar?
– E se em vez de pintar de verde eu pintar de vermelho?
– E se em vez de ir por aqui eu for por ali?
– E se em vez de deixar aqui eu puser ali?

 

Esta é grande “malandragem” do pensamento criativo! Este é o primeiro passo! Esta é a primeira regrinha para tirar sua cuca da mesmice do pensamento vertical! Acostume-se a pensar “e se?” e você vai ver como as idéias começam a pintar! Pense “e se?” e ouse, arrisque, experimente! Sem “correr o risco de errar você tem poucas chances de acertar!

Veja como Sigmund Freud se referia à própria inteligência e perceba que não há grandes exigências de ordem natural para que qualquer um, com ousadia e determinação, possa superar suas limitações:

 

“Não sou realmente um homem de ciência, não sou um observador, não sou um pensador. Nada sou senão um conquistador, por temperamento – um aventureiro – com a curiosidade, a rudeza e a tenacidade que compõem essa espécie de ser.”

……….

“Tenho capacidades e talentos muito restritos. Nenhum para as ciências naturais, nenhum para a matemática, nada para as coisas quantitativas. No entanto, o pouco que possuo, e que é de natureza bastante limitada, deve provavelmente ser de caráter muito intenso.” (Textos extraídos do livro O Pensamento Vivo de Sigmund Freud, de Martin Claret.)

“Penso noventa e nove vezes
e nada descubro; deixo de
pensar, mergulho em profundo silêncio
e eis que a verdade se me revela.”
Albert Einstein

 

A grande dificuldade para que as pessoas pensem criativamente é o seguinte:

Desde pequenos somos acostumados a pensar verticalmente. Na escola, como em casa, sempre nos ensinaram que devemos fazer tudo certinho, que devemos ser objetivos, práticos, eficazes, e que a “ousadia” é um perigo que pode custar muito caro. Cientificamente, isto quer dizer que somos educados para utilizar exclusivamente o lado esquerdo do cérebro – o lado da razão e do raciocínio lógico. Porém, e o lado direito – o da imaginação, da intuição, da inventividade – como fica? Atrofiado? É exatamente esta a dificuldade. A maioria das pessoas pensa somente com o lado esquerdo do cérebro. Poucas pessoas usam também o lado direito. Assim, quando se deparam com um problema de difícil solução, ficam com a mente paralisada, sem alternativa, não é mesmo?

É preciso aprender a usar o lado direito do cérebro. É justamente nesse lado que se concentram todas as nossas potencialidades criativas. É preciso explorar esse mundo de talento que você tem na cabeça. Desenvolvendo tão-somente o seu raciocínio lógico, certamente você se tornará uma pessoa muito inteligente, porém, talentoso e criativo você só será quando desenvolver toda sua capacidade de “imaginar” e de “ousar”.

Você pode acreditar no que eu vou lhe dizer agora: todos os grandes gênios que você conhece ou já ouviu falar – Chopin, Van Gogh, Matisse, Pasteur, Sabin, Nijinski, Pascal, Camões, Dante, Picasso, Cervantes – TODOS foram useiros e vezeiros em explorar o lado direito do cérebro a procura do original, do incomum, do diferente. Porque o comum e o banal, meu irmãozinho, todo mundo faz. O “barato” é fazer diferente. Porém um “diferente” melhor, um “diferente” bom para os outros, bom para o mundo, bom para a vida. E esse “diferente” só se consegue à custa de muito estudo, muita ousadia, muita determinação. A ferramenta você tem: o cérebro. É só “brincar” com ele que você chega lá!

É preciso que se diga, contudo, que o pensamento criativo não surge do nada, não é obra do acaso. Não adianta ficar na beira da praia esperando que um pensamento genial caia do céu porque não cai, não! Para que o espírito criativo baixe no seu terreiro é preciso que o seu cérebro tenha substância, ou seja, que tenha uma quantidade de informações suficientemente grande para que as idéias possam brotar na sua mente. Depois, é só seguir o conselho do grande Thomas Edison: “qualquer homem pode alcançar o êxito se dirigir seus pensamentos numa direção e insistir neles até que faça alguma coisa”. É isso aí, meu jovem: insistir até que alguma coisa aconteça!

Louis Pasteur teve um derrame cerebral aos 46 anos, ficando com todo o lado esquerdo do corpo paralisado. Nessa época ele ainda não era um cientista famoso e ainda estudava a pebrina, uma doença que atacava a cultura dos bichos-da-seda. Mesmo debilitado pela doença e deprimido pela morte prematura das suas três filhas, Pasteur continuou trabalhando, pesquisando.

Como se não bastante tanta dor e tanto sofrimento, Pasteur ainda foi ridicularizado na Academia de Medicina por suas teses sobre a esterilização dos ambientes hospitalares. Mas continuou trabalhando, pesquisando. Até que em 1885 – quase vinte anos depois do derrame sofrido – Louis Pasteur trata e cura, pela primeira vez na história da medicina, um garoto atacado por raiva. Ele insistiu, ousou, não temeu o ridículo… e realizou!

Pois é isso aí, galera! É assim que a banda toca. Não importa o que você é hoje, não importa o que você deixou de fazer, não importam as suas derrotas, nada disso importa. O que vale é que você tem dentro da caixa craniana o mais poderoso computador do mundo. E ele é todo seu.

Saiba que Einstein, Pasteur, Gandhi, Edison, Picasso e Leonardo da Vinci tinham “computadores” exatamente iguais ao seu. Nenhuma diferença! Nenhum neurônio a mais! E, com a idade que você tem hoje, nenhum deles era muito diferente de você. Eram simplesmente jovens. Como você é agora. Exatamente assim!

Se você tem filho pequeno ou quer saber como desenvolver a criatividade nas crianças, O psicólogo Glenn Doman, autor de “Teach Your Baby Math”, afirma no seu livro: “Aprender é o jogo mais importante e divertido da vida. Todas as crianças nascem acreditando nisso e continuarão acreditando até que as convençamos de que aprender é uma tarefa extremamente difícil e desagradável. Algumas crianças jamais aprendem essa lição e passam a vida acreditando que aprender é divertido, que é um jogo que vale ser jogado. Temos um nome para essas pessoas: elas são chamadas de “gênios”.

De fato, ao nascer, a criança se dispõe, pela própria natureza do seu cérebro, a aprender continuadamente por toda a vida. O que impede essa “aprendizagem contínua e profícua” é a ação bloqueadora dos adultos – principalmente dos pais – que, a pretexto de educar, acabam desvirtuando a criança do seu destino natural.

Um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento contínuo da criança é a rejeição às suas manifestações criativas. Raros são os pais que elogiam seus filhos, com insistência, a cada manifestação de criatividade.

Cada vez que uma criança mostra um desenho que acabou de fazer, uma “invenção” ou uma coisa nova que aprendeu na escola, na verdade, está com sua mente expectante pronta para receber um elogio que há de estimulá-la ainda mais a dar continuidade a esta aprendizagem. Quando não há o “elogio” a criança “julga” que o seu esforço em “produzir” algo criativo foi em vão, e isso diminui sua auto-estima. Aos poucos, ela acaba “entendendo” que é uma “inútil” ou – pior ainda – que não é amada. E isso faz um mal terrível tanto para o seu desenvolvimento intelectual quanto para o seu equilíbrio emocional.

Para estimular a criatividade do seu filho, você não precisa comprar revistas ou “jogos educativos”, nada disso. Você precisa, tão-somente, “acariciar” o intelecto e o emocional dela. Como? Elogiando! Elogiando sempre e muito.

Se você se habituar a elogiá-la – “Que bonito! Você é muito inteligente!” – estará permitindo que ela, por si só, desenvolva seu potencial criativo (ela vai querer fazer sempre mais e melhor para agradá-lo, para receber mais elogios) e equilibre positivamente o seu lado emocional (ela vai se sentir amada, e isso é fundamental para o desenvolvimento de qualquer criança).

Muitos pais, por falta de tempo ou de informação, acabam prejudicando inconscientemente o desenvolvimento intelectual dos seus filhos. Muitos, inclusive, acham que o melhor para seus filhos é estudarem em ótimos colégios onde terão toda a assistência intelectual que precisam, e que isso basta. Este, contudo, é um erro gravíssimo. O que a criança pequena precisa, fundamentalmente, é de afeto. Repare que as crianças quando aprendem algo novo na escola, correm direto para os pais para mostrar o que aprenderam. E este momento é crucial; ele é tão importante quanto tudo aquilo que ela aprendeu. A escola “dá” a informação, ajuda na formação, mas é a relação afetuosa pais/filho que vai fazer com que toda essa informação seja bem processada pelo cérebro. Quando ela corre para mostrar o que aprendeu, está simplesmente “procurando afeto”, “procurando elogio”. O silêncio e a indiferença, nessas horas, faz um mal terrível e pode pôr tudo a perder.

Outro detalhe que também merece ser ressaltado, é a questão da diversão, da brincadeira. É preciso entender que o trabalho das crianças é sua diversão; crianças aprendem através de tudo o que fazem. Por isso, não é saudável cobrar das crianças atitudes de adultos. Crianças aprendem brincando, e aprendem mais do que adultos.

Um criança, por exemplo, pode aprender a ler com meses de vida, você sabia disso? Se você rotular seus brinquedos e os móveis, escrevendo o nome de cada peça, basta aguardar pois ela, naturalmente, aprenderá a identificar cada palavra, ou seja, aprenderá a ler sem que ninguém lhe ensine. Tudo naturalmente. E brincando.

Portanto, se você quer realmente estimular a capacidade criativa do seu filho, siga estes dois princípios fundamentais:
1 – Elogie sempre, sempre, sempre; mostre afeto sempre, sempre, sempre;
2 – Estimule-o a brincar sempre e muito. Em cada brincadeira, com certeza, ela estará aprendendo mais um pouco, crescendo um pouco mais. Lembre-se que ela não é adulto, não está ainda preparada para aprender como um adulto. Ela é criança; deve aprender como criança. É a lei.

“Eu não pinto as coisas como as vejo, mas sim como as penso.”
Pablo Picasso

“A imaginação é mais importante do que o conhecimento.”
Albert Einstein

 

Abraços,

Professor Edmundo Santana

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Sobre o autor: Edmundo Santana

Diretor Geral da Canadian Corporate Coaching Group Brasil. Sócio Diretor da Advance Consultoria e Treinamentos. Consultor e Instrutor em Desenvolvimento de Pessoas. Consultor e Instrutor do Sebrae/PR. Professor de Técnicas de Redação. Fundador do Blog Professor Edmundo Santana. Autor do Livro Fazendo a Diferença - Aprenda Fácil Editora

2 Comments+ Add Comment

  • Adorei ler isso
    mto bom

    • Olá Lucas. Que bom que gostou. Pratique e verá a diferença.

      Abraços,
      Professor Edmundo Santana

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