fev
23
2009

A Mesa do Avô




Existem duas coisas em nossas vidas que não podemos fugir: do tempo e da morte. Por mais que se tente, não adianta, eles nos encontram. Da morte, não se há o que fazer. Com o tempo, o homem vem perseguindo, implacavelmente, formas de retardar o envelhecimento; tudo paliativo. Ele chega, sempre.

No entanto, muitas pessoas vivem a ilusão de que jamais chegarão lá. Comentários à parte, deixo que o texto abaixo fale por si, e provoque um momento de reflexão. Vamos à história:

Um frágil e velho homem foi viver com seu filho, a nora, e o seu neto mais velho, de quatro anos. As mãos do velho homem tremiam, a vista era embaralhada, e o seu passo era hesitante. A família, todos os dias, reunia-se à mesa para jantar. Mas com mãos trêmulas e  vendo mal, tornou-se cada vez mais difícil o ato de comer. As ervilhas rolavam da colher para o chão. Derramava o leite. A confusão irritou fortemente o filho e a nora:

 

— Nós temos que fazer algo sobre o Vovô, — disse o filho. — Já tivemos bastante do seu leite derramado, ouvindo-o comer ruidosamente, e muito de sua comida no chão.

 

Assim, marido e esposa prepararam uma mesa pequena no canto da sala. Lá, Vovô comia sozinho, enquanto o resto da família desfrutava do jantar.

 

Desde que o Avô tinha quebrado um ou dois pratos, a comida dele era servida em uma tigela de madeira. Quando olhavam para o Vovô, às vezes, pensavam que notavam uma lágrima, por estar só. Ainda assim, as únicas palavras que o casal tinha para ele eram de advertência a cada vez que ele derrubava um garfo ou derramava comida.

 

O neto assistia tudo em silêncio. Uma noite, antes do jantar, o pai notou que o filho estava brincando, sentado no chão, com sucatas de madeira, perguntou docemente para a criança:

— O que estás fazendo? — Da mesma maneira dócil , o menino respondeu:

— Estou fabricando uma pequena tigela para Você e Mamãe comerem sua comida quando eu crescer, — sorriu e voltou a trabalhar.

 

As palavras do menino golpearam os pais, que ficaram mudos. Então, lágrimas começaram a fluir em seus rostos. Nenhuma palavra foi falada, mas ambos souberam o que devia ser feito.

 

Naquela noite o marido pegou a mão do Vovô e com suavidade conduziu-o para a mesa familiar. Para o resto de seus dias de vida ele comeu sempre com a família. E por alguma razão, desse dia em diante, nem marido nem esposa pareciam preocupados quando um garfo era derrubado, o leite derramado, ou que a toalha da mesa tinha sujado.

 

Pense a respeito.

 

Abraços,

Professor Edmundo Santana



Sobre o autor: Edmundo Santana

Diretor Geral da Canadian Corporate Coaching Group Brasil. Sócio Diretor da Advance Consultoria e Treinamentos. Consultor e Instrutor em Desenvolvimento de Pessoas. Consultor e Instrutor do Sebrae/PR. Professor de Técnicas de Redação. Fundador do Blog Professor Edmundo Santana. Autor do Livro Fazendo a Diferença - Aprenda Fácil Editora

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